Aos 35 anos, a britânica Alice Norris, moradora de Newcastle, no Reino Unido, jamais imaginou que o cansaço extremo vivido após o nascimento do primeiro filho estivesse ligado a um câncer. Durante semanas, ela enfrentou fadiga intensa, falta de ar e exaustão constante, sintomas inicialmente atribuídos às mudanças naturais da maternidade.
Como essas queixas surgiram no período pós-parto, médicos chegaram a considerar que se tratava apenas da sobrecarga física comum após o nascimento de um bebê ou até mesmo de uma nova gestação. Essa interpretação acabou adiando a investigação de um problema muito mais sério.
Somente após insistir em exames mais detalhados, Alice recebeu um diagnóstico inesperado: câncer de intestino em estágio 3, com uma mutação genética conhecida como MSI-H (instabilidade de microssatélites elevada), presente em cerca de 10% a 15% dos casos de câncer colorretal.
“Foi um choque enorme. Eu nunca pensei em câncer. Não tinha os sintomas clássicos”, contou Alice em entrevista ao Daily Mail.
Câncer silencioso e sem sinais clássicos
O caso chama atenção porque Alice não apresentou sintomas considerados típicos da doença, como sangue nas fezes ou alterações intestinais evidentes. O câncer colorretal pode evoluir de forma silenciosa, principalmente em pessoas jovens, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Segundo o Ministério da Saúde, os principais sinais de alerta para o câncer de intestino incluem:
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Alterações no hábito intestinal (diarreia ou constipação persistentes)
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Dor ou desconforto abdominal
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Anemia sem causa aparente
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Fraqueza e cansaço excessivo
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Perda de peso involuntária
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Inchaço abdominal
No entanto, no pós-parto, muitos desses sintomas podem ser confundidos com alterações hormonais, privação de sono e demandas físicas da maternidade, como ocorreu no caso de Alice.
Diagnóstico tardio e tratamento inovador
Após a confirmação do câncer, Alice foi encaminhada a um hospital especializado, onde teve acesso a um ensaio clínico com imunoterapia, utilizando o medicamento pembrolizumabe — um imunoterápico que estimula o próprio sistema imunológico a combater as células cancerígenas.
Depois de três ciclos do tratamento, seguidos de uma cirurgia, os exames mostraram um resultado extremamente positivo: não havia mais células cancerígenas ativas no organismo.
Atualmente, Alice segue em acompanhamento médico regular, retomou sua rotina ao lado do filho e se dedica a grupos de apoio a pessoas diagnosticadas com câncer colorretal, ajudando a conscientizar sobre a importância de ouvir os sinais do corpo.
Um alerta para jovens e profissionais de saúde
O caso reforça um ponto importante: o câncer de intestino não afeta apenas pessoas mais velhas. Nos últimos anos, especialistas têm observado um aumento de casos em adultos jovens, muitas vezes diagnosticados em estágios mais avançados justamente por não se suspeitar da doença.
Especialistas destacam que qualquer sintoma persistente, mesmo quando parece explicável por outra condição — como o pós-parto —, deve ser investigado com atenção.
A história de Alice Norris serve como um alerta importante sobre os riscos de normalizar sintomas persistentes. Embora a maternidade traga mudanças profundas ao corpo, sinais como fadiga extrema, falta de ar e fraqueza prolongada não devem ser ignorados.
O diagnóstico precoce do câncer de intestino aumenta significativamente as chances de cura. Ouvir o próprio corpo, insistir em exames quando algo não parece normal e buscar acompanhamento médico adequado pode salvar vidas.