Dormir e acordar muito tarde pode aumentar o risco de infarto e AVC, aponta estudo

Dormir tarde e acordar mais tarde no dia seguinte é um hábito comum para muitas pessoas. Algumas se sentem mais produtivas à noite, enquanto outras simplesmente não conseguem adormecer cedo. Esse padrão de sono é conhecido como cronotipo noturno e, embora faça parte da diversidade biológica humana, novas pesquisas indicam que ele pode estar associado a riscos aumentados para a saúde cardiovascular.

Um amplo estudo publicado no Journal of the American Heart Association, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo na área da saúde do coração, analisou a relação entre o cronotipo e a ocorrência de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Os resultados chamaram a atenção da comunidade científica e do público em geral.

O que é cronotipo e por que ele importa?

O cronotipo refere-se à preferência natural do organismo em relação aos horários de dormir e acordar. De forma geral, ele é dividido em três grupos principais:

  • Matutino: pessoas que dormem e acordam cedo

  • Intermediário: aquelas que mantêm horários mais equilibrados

  • Noturno: indivíduos que dormem e acordam tarde, sentindo-se mais ativos à noite

O estudo focou especialmente nos participantes classificados como “definitivamente noturnos”, ou seja, aqueles com forte tendência a permanecer acordados até altas horas e iniciar o dia mais tarde.

O que o estudo revelou sobre o risco cardiovascular?

De acordo com os dados analisados, pessoas com cronotipo definitivamente noturno apresentaram 16% mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares quando comparadas às pessoas de perfil intermediário.

Esse aumento no risco não está ligado apenas ao horário de dormir em si, mas sim a um conjunto de fatores comportamentais e metabólicos que costumam acompanhar esse padrão de sono.

Os pesquisadores reforçam que o cronotipo não é uma escolha consciente, mas um traço biológico. No entanto, os hábitos associados a ele podem influenciar significativamente a saúde ao longo do tempo.

O papel do índice “Life’s Essential 8”

Um dos pontos centrais do estudo foi a avaliação da saúde cardiovascular geral dos participantes por meio do Life’s Essential 8, um índice criado pela American Heart Association para medir o bem-estar do coração.

Esse índice leva em conta oito fatores fundamentais:

  1. Qualidade do sono

  2. Alimentação

  3. Atividade física

  4. Controle do peso

  5. Níveis de colesterol

  6. Pressão arterial

  7. Glicemia

  8. Ausência de tabagismo

Os indivíduos com perfil noturno, em média, apresentaram pontuações mais baixas nesse índice, indicando pior saúde cardiovascular geral.

Hábitos comuns entre pessoas que dormem tarde

Segundo os pesquisadores, pessoas de cronotipo noturno tendem a apresentar alguns comportamentos que, combinados, podem aumentar o risco de doenças do coração, como:

  • Maior sedentarismo

  • Alimentação irregular ou em horários muito tardios

  • Menor exposição à luz solar durante o dia

  • Pior qualidade do sono

  • Maior dificuldade em manter rotinas saudáveis

Esses fatores podem impactar o metabolismo, favorecer inflamações crônicas e alterar o funcionamento do sistema cardiovascular ao longo dos anos.

Dormir tarde causa problemas cardíacos?

Os especialistas são claros ao afirmar que dormir tarde, por si só, não causa doenças cardiovasculares. O que realmente importa é o contexto geral do estilo de vida.

Uma pessoa noturna que:

  • mantém uma alimentação equilibrada

  • pratica atividade física regularmente

  • dorme horas suficientes

  • controla pressão, colesterol e glicemia

pode reduzir significativamente os riscos associados ao cronotipo.

O problema surge quando o padrão noturno vem acompanhado de hábitos prejudiciais e de um desalinhamento constante com as demandas sociais, como horários de trabalho muito cedo, o que gera privação crônica de sono.

O que pode ser feito para reduzir os riscos?

Para quem tem cronotipo noturno, os especialistas recomendam estratégias práticas para proteger a saúde cardiovascular:

  • Priorizar uma rotina de sono consistente

  • Garantir pelo menos 7 a 8 horas de sono por noite

  • Manter horários regulares para refeições

  • Praticar exercícios físicos, preferencialmente durante o dia

  • Evitar refeições muito pesadas à noite

  • Monitorar regularmente indicadores de saúde

Essas medidas ajudam a minimizar os impactos negativos associados ao padrão noturno.

Um alerta, não uma condenação

Os autores do estudo reforçam que os dados devem ser encarados como um alerta preventivo, e não como um diagnóstico ou sentença.

O conhecimento sobre o próprio cronotipo pode ser uma ferramenta poderosa para ajustes no estilo de vida, promovendo escolhas mais conscientes e alinhadas à saúde a longo prazo.

Conclusão

Dormir e acordar muito tarde pode estar associado a um risco maior de doenças cardiovasculares, especialmente quando esse padrão vem acompanhado de hábitos pouco saudáveis. Estudos científicos mostram que pessoas de cronotipo noturno tendem a apresentar piores indicadores de saúde do coração, mas isso não significa que o risco seja inevitável.

Com atenção ao sono, alimentação, atividade física e acompanhamento médico regular, é possível reduzir esses riscos e manter uma boa qualidade de vida, independentemente do cronotipo.

Conhecer o funcionamento do próprio corpo é um passo essencial para cuidar melhor da saúde — inclusive do coração.

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